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Palmas uma capital pós-muro Este ano de 2009 marca os vinte anos de aniversário da queda do muro de Berlim, fato que para muitos é motivo de comemoração enquanto para outros é motivo de lamento e saudosismo, mas independente da nossa opinião sobre a queda do muro devemos lembrar que ele era o símbolo da separação entre o mundo capitalista e o chamado socialismo real liderado pela antiga União Soviética, uma época de fortes ideologias. Este ano marca também o aniversário de nossa capital Palmas a mais nova capital de um estado no Brasil, o Tocantins. Nossa capital nasceu com a pretensão de ser acética e pasteurizada, mas essa é apenas uma meia verdade, tendo em vista que o cotidiano nos mostra todo dia problemas que não estavam previstos no seu planejamento, basta uma chuva forte ou uma olhada mais atenta para a sua periferia ou na estatística dos acidentes no transito. Palmas como “capital das oportunidades”, juntou gente de todos os lugares do país para se resolverem e se entenderem, uma busca ainda constante e frenética de chegadas e saídas, de expectativas frustradas e realizadas, de olhares arredios e amizades distanciadas que mais demonstram o traçado do plano urbanístico da cidade. Um lugar para o automóvel. A fragmentação e dispersão das pessoas é uma contradição que pode não ser ruim nem boa, mas justificável e compreendida a partir dessa nova ordem mundial em que vivemos; a sociedade do desencaixe e do fluxo como dizem os sociólogos contemporâneos. Afinal, agora ser feliz é apenas existir enquanto individuo. Pensando no pós-muro, no capitalismo, na globalização, em Palmas e nos costumes das pessoas dessa época de alta modernidade podemos ver uma juventude dependente da internet e do consumismo, que tem um jeito de ser que se traduz no modo descolado-chique, hippie de boutique, espontâneos de espelhos em casa e nas vitrines, top evangélicos. Recém saídos do curral para o shopping. Tentando ser politicamente corretos e preocupados com o meio ambiente. Tudo verdade e mentira ao mesmo tempo; tempo esse das tribos como diz Michel Mafesoli, do gueto, do micro, do fashion e do tudo ao mesmo tempo agora. Cosmopolitas do cerrado à floresta. Novidades que vêem e vão, apoiadas no contexto de uma época marcada pelas interdisciplinaridade, transdisciplinaridade, pluralidade e multiculturalismo. O mais importante nessa nova ordem mundial talvez seja que o novo e o velho não se escondem mais, estão se conectando, tentando se relacionar e se respeitar para existirem.
Escrito por Vandilo às 18h00
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Humano, demasiado humano O título deste texto é uma referência ao livro homônimo de Nietzsche, um livro muito oportuno para o que quero comentar aqui. Quando vou explicar algo sobre o ser humano em sala de aula, gosto de dizer, que o ser é o biológico – nossa porção animal, enquanto o humano é o que temos de cultural, ou seja, os valores, as regras, a subjetividade. Parece simples, e é. Mas ao mesmo tempo precisamos abstrair essa categoria para podermos realmente compreender quem somos, se é que seja possível saber em sua totalidade. Somos seres complexos e dentro do emaranhado de relações em que nos encontramos, um simples gesto passa a ter vários significados, vários sentidos e poderes. Vamos pensar no ato de sentar-se, esse simples ato é por demais humano, cheio de significados a partir do contexto social e cultural e até mesmo político. Existe uma foto de Lampião com Maria Bonita em plena caatinga na qual Maria Bonita está sentada com uma pose aristocrática, a observação não foi minha e sim da professora e historiadora Jaqueline Herman ao comentar sobre o tema da tese do nosso colega Marcos Clemente que estuda as fotos que registram o fenômeno do Cangaço no Nordeste. O interessante no comentário da professora é que podermos observar que ao sentar estamos comunicando algo, estamos fazendo pose, racionalizando um gesto que aparentemente é apenas de descanso, mas que pode ser uma demonstração de poder, assim como acontece com o tom da nossa voz; uma voz forte ou fraca que pode ser identificada como uma a voz do colonizador ou do colonizado e, portanto, dominado ou não. A vingança é também um ato por demais humano se pensarmos que só o homem é capaz de prepará-la. Cristina Costa no seu livro de Sociologia tem um capitulo sobre a violência humana no qual ela conceitua violência como sendo a "agressão premeditada, sistemática e por vezes mortal de um individuo ou grupo sobre outro”. Desse modo, diz ela, "os ataques entre animais não têm um caráter particular individual ou de premeditação, como a violência praticada pelos homens contra outros membros de sua espécie". Para ela, a violência não é instintiva, mas universal, o animal usa da violência apenas como defesa sem premeditação, para eles, a violência é uma reação instantânea bem diferente do que acontece conosco. O que pretendo destacar é que o que nos faz humano é sempre algo muito específico e singular, mais ainda quando pensamos em culturas diferentes, e, nesse caso, o detalhe faz grande diferença e justifica até mesmo a existência de preconceitos que se enraízam nas pessoas. Somos iguais biologicamente, o que nos faz realmente diferente é a cultura, isto é, a maneira como construímos nosso jeito de olhar o mundo e através da cor dessa lente que usamos para traduzir as coisas em sensações diversas temos o tom do que podemos chamar, então, de realidade. Portanto, são os conceitos elaborados em nossa mente que nos ajudam a perceber o mundo, enquanto os nossos olhos são apenas instrumentos pelos quais apreendemos o que se apresenta a nossa frente. Voltando a Nietzsche, no livro citado anteriormente, ele afirma sobre o mais feio – é duvidoso que o homem mais viajado tenha encontrado em alguma parte do mundo regiões mais feias do que no rosto humano. Podemos a partir dessa citação reafirmarmos nossa impressão de que a visão do homem é sempre contextualizada no tempo e espaço e que é humano sentir raiva, vergonha, preguiça, excitação, nojo, alegria e tantos outros sentimentos que não cabe aqui enumerá-los. Atrai-me muito observar e tentar analisar as expressões mais estranhas e por muitos consideradas bizarras ou anacrônicas. Quanto de humano existe no estranho que foge a regra? Isto me chama atenção.
Escrito por Vandilo às 16h34
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Estômago e o cinema nacional Há poucos dias assisti dois filmes nacionais que me agradaram muito, pelas temáticas e pelos questionamentos que pude fazer a partir deles. Sou dos poucos brasileiros que gostam de filmes nacionais; poucos por que sei que mesmo tendo aumentado o número de filmes produzidos no Brail e do público assistente, o nosso cinema ainda é coisa para poucas pessoas, aliás é apenas 10% da população que vai ao cinema, seja nacional ou não. Na verdade, ainda existe muito preconceito com o nossos filmes, talvez por que tratem de temas relacionados ao nosso cotidiano e acabam chocando a maioria das pessoas que não suportam se vê no espelho. Os filmes que assisti foram: Céu de Sueli e Estômago, já deveria tê-los visto, reconheço e lamento, mas infelizmente não temos acesso fácil e rápido a esse tipo de filme. O primeiro me transportou para o Ceará com uma história triste e ao mesmo tempo de coragem e determinação dentro das limitações dos personagens. Relembrou-me os dois anos que morei na cidade do Crato. Embora o Crato não tenha sido a cidade da locação do filme, as cidades do interior do Nordeste têm muitas características em comum, pelos aspectos sócio-culturais facilmente reconhecidos e identificados por nós que somos da região. Ele me tocou especialmente por tratar da questão da migração e consequentemente das dificuldades e histórias mal resolvidas deixadas pelo caminho. Estômago me pegou mais profundamente. Ao tratar das relações de poder e da ingenuidade, me levou a pensar e até mesmo a concluir alguns pensamentos que eu já esboçava em conversas com pessoas próximas sobre o perigo da ingenuidade, que na maioria das vezes provoca sofrimento não apenas para o ingênuo, mas também para os outros que com ele convive, são atropelos e traumas quase que inevitáveis. Este filme tem uma trama agradável quase suave mas acima de tudo inteligente, para tratar de questões fortes, sérias e corriqueiras que passam despercebidas no dia-a-dia. Não posso deixar de mencionar também que antes desses dois filmes citados, eu tenho duas outras referências importantes: Amarelo manga e Narradores de Javé, entre muitos outros, eles também me conquistaram pela reflexão sobre a nossa realidade de injustiças e contrastes. É preciso que entendamos que os "vários brasis" estão presentes nessas histórias para que possamos nos conhecer melhor. Vale a pena valorizar mais a produção de filmes brasileiros, mas não apenas para cumprir a obrigação de uma atividade em sala de aula passada pelo professor. Sair um pouco do brilho dos filmes americanos e entrar num ritmo mais lento, mas não menos emocionante é importante para termos outras referências. Para mim, o melhor de um filme é compreender a sua mensagem sobre o comportamento humano e a diversão que o mesmo causa, obviamente. Infelizmente, é lamentável, mas não desesperador, quando levo alguns desses filmes para aula e a estranheza é geral, a recompensa vem do nosso esforço como professor para demonstrar a importância desses filmes e ao mesmo tempo proporcionar o contato de pessoas que dificilmente um dia terão acesso a eles, e ai, como professor não desiste nunca, muitos até conseguem entender o sentido da sua exibição e passa a vê-los com outros olhos.
Escrito por Vandilo às 19h38
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Aprendizes da democracia e o cinismo É no mínimo estranho para não dizer estarrecedor o que vem acontecendo nas escolas. A cada dia ficamos sabendo de mais um absurdo cometido por alunos no interior das escolas, contra professores e colegas, e com requinte tecnológico, ou seja, é tudo gravado para expor depois na internet para saborear em momentos de êxtase. Virou moda. A perda da privacidade juntamente com a onda do politicamente correto parecem não ter limites, ou se confundirem nas cabeças mal informadas e imaturas. A cada momento de mais um escândalo, me pergunto: O que será ter limites, como colocar limites ou para quê limites? Parece-me, que como diz Bauman, sabemos a resposta mas não sabemos a pergunta, ou seja, essa geração tem muita tecnologia e não sabe para quê e como usá-la. Vivemos numa sociedade em um momento muito esquesito; para alguns tudo isso tem acontecido por estarmos aprendendo a viver em democracia. Ou será porque perdemos a capacidade de nos entender? Alain Touraine escreveu um livro que o título já é uma pergunta neste sentido: Poderemos viver juntos? e depois ele mesmo responde dizendo que nós já vivemos juntos. Pensar sobre essa questão é muito oportuno e urgente, caso contrário, vamos retroceder na história, não mais como homens da caverna e sim como homens das telas do mau gosto. Claro que sabemos que os absurdos acontecem em toda parte e que a escola é um reflexo do que acontece na sociedade. Mas vejo com muita preocupação para quem tem que trabalhar diretamente com pessoas de valores confusos e tanto cinismo. São homens e mulheres com menos ou mais de 18 anos, não importa. Acho que a idade, nesse caso, é apenas um marco para efeito burocrático do que serve ou deveria servir para a aplicação da lei. Lembro-me da época em que começou na televisão programas popularescos como o do Ratinho, o pós-ditadura militar. Muitos afirmavam que o seu sucesso seria devido a necessidade da população excluída, sem voz, "os sem nada", falarem e aparecerem para reclamarem, espaço sempre negado em outros formatos de programas. Agora acredito que estamos vivendo um momento diferente, muito mais de cinismo explícito, deboche e maldade. Um espécie de exercício do micropoder que dar prazer em quem tem uma câmera e pode comprometer os outros pela pura vontade de humilhar. Cria-se uma situação para expô-la depois na internet e quanto mais grotesca melhor. Apenas uma brincadeira não pode ser. Talvez precisamos recorrer a Freud para explicar. Entre outros casos mostrados na televisão e internet, o caso da estudante que foi agredida na universidade pela maioria dos alunos, gritanto e gravando tudo, simplesmente por causa do seu vestido curto, senti vontade de me perguntar sobre o que está acontecendo. Será que perdemos de vez a capacidade de tolerar a diferença? Será essa a melhor maneira de demonstrar descontentamento? Será falta de sexo ou deus, como dizem os religiosos? Aliás, há quem diga também que na nossa época se fala muito de sexo mas se pratica pouco, é ai que temos que recorrer a Freud.
Escrito por Vandilo às 19h20
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Identidade(s) Normalmente quando pensamos em uma identidade, seja individual ou coletiva, criamos uma imagem de uma unidade estática ou fixa, algo que corresponda a uma coerência de informações que dê conta de toda uma bagagem cultural em forma de padrão. Padrão de comportamento e atitudes que correspondam a um ser único e imutável. Encontramos essa idealização das identidades no senso comum de maneira bastante difundida como uma demonstração do quanto estamos contaminados pelo pensamento positivista, no qual a realidade é algo linear, natural, universal e imutável, a partir de uma relação de causa e efeito e de ordem e progresso. Como podemos pensar numa identidade nacional/brasileira, a partir desses pressupostos positivistas? Nosso país com dimensões continentais e uma diversidade cultural gigantesca, tem em suas diferenças socioculturais uma fonte inesgotável de formações de identidades. As nossas possibilidades culturais não permitem que possamos pensar numa noção de idade levando em consideração apenas um aspecto de uma cultura, caso contrário, incorremos no erro de criarmos estereótipos e preconceitos, é lógico que uma identidade é sempre formada a partir de elementos estruturantes, que não são aleatórios, como nos mostra Maria Lúcia Montes ao falar sobre o caráter contrastivo e conflituoso presente na invenção das identidades e Muniz Sodré quando mostra que uma identidade deve ser sempre vista no plural como um valor. Portanto, é fundamental que devemos pensar numa identidade, primeiramente como uma construção que depende de um contexto social, cultural e histórico para, a partir daí, compreendê-la no seu fluxo ou em curso como diz Boaventura de Souza Santos ao discutir a importância das fronteiras no processo de construção de uma identidade. Pensarmos na identidade brasileira levando em consideração nossas diferenças, que tanto pode ser a do indígena na selva, do negro no Samba como era representado na performance de Carmem Miranda, no sertão nordestino ou no sul sintetizado nas tradições gaúchas, vemos que existem infinitos sentidos contidos nos costumes do nosso povo, mas vejam que essas são apenas algumas das representações que fazemos aqui, existem muitas outras além destas. Será que nossa língua portuguesa seria o elemento fundamental para nos fornecer uma identidade nacional ou seria a figura do mestiço? Acredito que nenhum desses aspectos sozinhos garante isso. Darcy Ribeiro tem uma vasta obra sobre esse tema e uma visão muito boa de que só o Brasil consegue fazer carnaval e avião, uma alusão evidente da possibilidade de convivência harmônica entre espontaneidade e racionalidade. Nesse sentido, Roberto Da Matta também faz suas colocações mostrando o quanto a mistura de costumes pode ser considerada a nossa marca. Ou seja, ninguém consegue definir um elemento único que sirva por si só como definidor de uma identidade ou de nossa identidade, isso porque ela não existe nesses termos, nem mesmo quando pensamos na identidade de uma pessoa, pois no nosso RG, a fotografia, os nomes e sobrenomes e a data de nascimento são antropologicamente insuficientes para nos definir, como afirma Maria Lúcia Montes. Pensar que a falta de educação ou a tendência a corrupção que impera entre nós pode ser por falta de uma identidade nacional bem elaborada nas cabeças dos brasileiros, é uma demonstração de imaturidade intelectual para compreender que uma identidade pode ser tudo isso ao mesmo tempo convivendo junto e separado. A complexidade cultural não permite que possamos definir uma identidade de forma tão simplória, ela é sempre uma invenção que depende de interesses, um jogo de negociações de sentidos.
Escrito por Vandilo às 11h01
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Uma reflexão sobre a ciência em nosso cotidiano
Não gosto de ser determinista, acho que tudo pode mudar de sentido com o tempo. Não sigo rígidos padrões de comportamento. Procuro ser coerente no que posso e se não der também não me torturo, o “tem que ser”, é uma imposição na maioria das vezes desnecessária, considero uma auto-tortura. Gosto muito de admirar e contemplar o que considero poético no cotidiano, mas sei que buscar e encontrar um ponto de equilíbrio e tranqüilidade não é uma coisa muito simples, chega a incomodar até mesmo outras pessoas que se deixam levar pelo conformismo e mediocridade. Grosso modo, posso afirmar que minha existência está baseada na ciência, ou seja, nos conceitos que considero importantes para uma convivência social mais justa, encontro repostas na Sociologia, Filosofia e Psicologia que funcionam, diferentemente do que muitas pessoas pensam ao estudarem essas disciplinas com distanciamento e desconfiança. A ciência serve como um parâmetro, não como uma verdade absoluta; não podemos deixar de compreender que ela muda constantemente e que isso acontece porque a realidade é mais dinâmica do que qualquer conceito ou regra. O saber é construído e desconstruído o tempo todo, assim como os nossos valores. O ser humano em sua complexidade é muito rico em possibilidades, embora muitas vezes se atrapalhe pela vaidade e o abuso de poder. Portanto, repito, não sou rígido com meus valores nem com a vida, talvez precisasse ser um pouco mais; mas isso não faz parte do meu jeito de ser, observo que de certo modo as situações corriqueiras da vida começam a se repetir de tal forma que temos mais dificuldades de assimilar coisas novas e diferentes, será isso experiência? Minha relação com o sobrenatural, espírito ou Deus, existe. O que não faço é buscar igrejas ou grandes explicações sobrenaturais, penso que esses mistérios pós-morte a gente fica sabendo quando morre, acredito apenas que precisamos deixar fluir nossa energia de tal modo que a sensação seja de uma "vida boa" aqui e agora, isto é, mais equilibrada, como diz o provérbio budista: "Se um problema pode ser resolvido, para que ser infeliz? Se um problema não pode ser resolvido, de que adianta ser infeliz?" Uma relação harmoniosa tem que prevalecer e ser buscada em tudo que fazemos, não significa monotonia nem caretice de uma visão simplista de causa e efeito, mas sim a incorporação dos principios da dialética: relação, movimento, contradições e conflitos na nossa visão de mundo, e, acima de tudo no nosso dia-a-dia, a partir daí, nossa relação com o sagrado se estabelece naturalmente e as teorias científicas serão vivenciadas na prática e não somente como teses abstratas.
Escrito por Vandilo às 16h31
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Corpo estranho - o livro e a sua história Na adolescência é muito comum as pessoas escreverem poemas, comigo não foi diferente; elas brotavam naturalmente e freqüentemente. Depois comecei a vê-las como desabafo e por isso, muitas delas foram perdidas, já que comecei a ser mais exigente e já não as achava interessante. Na verdade, a entrada na universidade me fez mais critico e mais cético, não menos apaixonado e romântico. As poesias continuaram a atravessar a minha vida, volta e meia estou escrevendo uma. Corpo estranho foi o título que escolhi para o meu primeiro livro que só veio a ser publicado em 2006, com poesias feitas desde 1983. Confesso que não fiquei muito satisfeito por causa de alguns erros de digitação que ele tem, por falta de revisão e atenção dos que foram responsáveis pelo trabalho na gráfica. Mas voltando ao titulo, a sua escolha tem muito a ver com a sensação de estranhamento que sempre sentia, mas logo descobri que não era uma sensação exclusiva minha, mas algo comum a todos que pensam e são diferentes da maioria. Na contracapa do livro coloquei uma definição retirada do dicionário Houaiss, como uma maneira de atender a curiosidade das pessoas que sempre me pediam uma explicação sobre esse título. Segundo esse dicionário, corpo estranho significa substância ou objeto que se encontra de modo indevido em um órgão, orifício ou conduto do corpo, quer acidentalmente (objeto inalado, deglutido ou introduzido) quer espontaneamente (cálculos, calcificações intra-articulares etc); individuo que não se adaptou em determinado ambiente. Pois, acho que essa definição diz muito sobre a sensação que sentia, na época e de certa forma ainda hoje, embora com mais serenidade e clareza sobre o meu lugar no mundo e as minhas possibilidades. No livro tem um pequeno texto introdutório no qual afirmo que a poesia é uma fotografia, realmente a vejo assim, uma fotografia pelo apelo estético que as palavras tem sobre a imagem, podemos, portanto, pensar que o tempo pára num poema assim como quando tiramos uma foto e eternizamos um determinado momento, seja pela alegria ou tristeza, contemplação ou ansiedade. A magia da arte da poesia serve para apurar o nosso olhar. Algo cada vez menos valorizado e praticado nesse mundo onde o imediatismo é que prevalece em detrimento do poder de consumo de mercadorias triviais que imperam sobre o que temos de mais bonito que são os valores imateriais de solidariedade, beleza e amizade. Talvez o poeta seja mesmo como diz Fernando Pessoa, ...um fingidor, finge tão completamente que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente. Só ele pode e é capaz de ver o que está atrás do muro.
Escrito por Vandilo às 09h39
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Aparecida Pinto, uma artista. A primeira vez que vi Aparecida Pinto foi no programa “Graziela em sua Casa”, um programa da TV Borborema, afiliada da Rede Tupy em Campina Grande no ano de 1980, era um programa de variedades apresentado ao meio dia que já existia há muito tempo na cidade, no qual ela foi convidada e lá declamou uma poesia que é inesquecível para mim: Ponto de Interrogação do poeta Félix Wanderley. Na mesma semana, para minha alegria, encontrei Aparecida no calçadão da Rua Cardoso Vieira e não tive dúvidas, falei com ela, disse-lhes que a tinha visto no programa e tinha gostado muito. Ficamos amigos. Nessa época, ela devia ter por volta dos 26 anos e eu 16, ela era professora de português e eu escrevia poesias; logo mostrei as minhas poesias e fui convidado a participar do Encontro Intercolegial de Artes, promovido por ela no Hall do Teatro Municipal. Nesse evento expus quatro quadros com desenhos em grafite e passei a freqüentar sua casa, sempre com muita admiração e atenção as suas palavras pronunciadas com uma dicção perfeita, para ouvirmos Maria Bethania e conversarmos. Presenciei uma de suas movimentadas aulas e daí, percebi o quanto ela era querida e elogiada pelos alunos, mas também muito discriminada pelos colegas. O seu jeito polêmico era o principal motivo da discriminação. Aparecida sempre foi diferente, isso nunca foi visto como uma qualidade, a não ser por poucas pessoas, a maioria sempre a tratou como uma pessoa inconveniente, com aspereza e descrédito. Aparecida gostava de declamar poemas de Augusto dos Anjos entre outros poetas, aliás, nos anos 80, declamar Augusto dos Anjos tornou-se uma unanimidade em Campina Grande, tendo em vista o nosso prefeito Ronaldo Cunha Lima ter sido eleito declamando versos dele próprio e logicamente, do famoso poeta paraibano; naquela época ouvia-se e liam-se poesias na cidade em todos os lugares: praças, exposições e saraus. Nosso entusiasmo era tanto que fundamos uma associação de poetas em plena praça da Bandeira, centro da cidade, e logo conquistamos uma sede que abrigou não só a turma que fazia poesias mas também o pessoal do teatro e das artes plásticas. Infelizmente Aparecida não saiu de Campina Grande e continuou no anonimato, aquela antiga frase de que “santo de casa não faz milagre”, continua como uma triste verdade, o sucesso de muitas pessoas, em qualquer área, geralmente só acontece quando são reconhecidos fora e voltam para receber as homenagens. Não tenho dúvidas que teria sido assim com ela, pois talento não lhes faltava e será sempre lembrado pelos que a conheceram. É sempre uma emoção reencontrá-la. Infelizmente, hoje, Aparecida tem uma atividade burocrática como funcionária pública servindo ao Estado, mas com o mesmo sorriso e olhar irreverente. Como dizia o inicio do poema que ela declamou na TV: Eu sou o alfa e o ômega De momento transformo-me de oasis para o deserto Na ilusão de dormir estou desperto Quando pensam que estou longe, estou perto Quando pensam que estou perto, Estou distante Sou pigmeu com idéias de gigante...
Escrito por Vandilo às 08h43
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Memória e a dimensão política da identidade na comunidade Canela - Estado do Tocantins (2000 a 2008). Canela é nome da comunidade ribeirinha que escolhi como objeto de estudo da minha tese de doutorado em História Social, iniciado em 2007 na UFRJ. No próximo mês de setembro farei a qualificação da tese, na qual apresentarei o projeto reformulado e mais dois capítulos para uma banca examinadora composta por dois professores e a minha orientadora Mônica Grin. Em 1998, terminei o mestrado em Sociologia na UFPB, com uma dissertação sobre uma comunidade quilombola do sertão da Paraíba conhecida como Talhado. Desde então, venho trabalhando na perspectiva da história do tempo presente e a técnica da história oral numa abordagem teórica sobre desterritorialização e a construção da identidade social e cultural. Minha pesquisa foi realizada junto à comunidade Canela, situada no município de Palmas capital do Estado do Tocantins, região norte do país. Pretendo mostrar como se dá a construção da identidade da comunidade Canela, a partir da memória e a dimensão política de sua identidade na trajetória cultural dos seus membros, dada a reflexão sobre as transformações dos seus valores na convivência com os padrões culturais da cidade de Palmas. A construção da usina hidrelétrica de Lajeado – Luis Eduardo Magalhães – inaugurada em 05 de outubro de 2001, que formou um lago sobre o rio Tocantins, foi o motivo principal para o reassentamento do Canela em outra área, fato que levou a uma série de problemas para a comunidade, tanto com relação as condições materiais de existência, como no aspecto da estruturação da identidade sócio-cultural da comunidade. No sentido de compreendermos melhor as relações e transformações ocorridas no Canela, tomamos como referência inicial para desenvolver nosso estudo, alguns autores como: Stuart Hall, Manuel Castells, Nobert Elias, Darcy Ribeiro e Rogério Haesbaert, entre outros.
Escrito por Vandilo às 20h22
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Os homens Entre outras coisas moro longe do mar e não escuto o barulho das ondas mas aqui o sol é o mesmo os homens são iguais não vão muito além eles calam pelo que têm e sofrem. (do meu livro de poemas: Corpo estranho)
Escrito por Vandilo às 20h17
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Eu, o rio e o mar Dizem que me viram no Rio No rio que dá pro mar Ou no rio do Cerrado pra lá. Dizem que me viram Calar Sem poesia, sem mar. E o rio me fez gritar Daqui e de lá: Um rio é um mar! Rio de Janeiro, 21 de Agosto de 2008
Escrito por Vandilo às 20h14
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Metodologia científica Todos os cursos na universidade têm a disciplina de metodologia científica, às vezes varia o nome dessa disciplina, mas na essência é o mesmo conteúdo. O seu objetivo é propiciar aos estudantes a oportunidade de discutir e conhecer as normas técnicas de pesquisas para que possam adquirir condições objetivas para a realização de um trabalho científico, portanto, ao diferenciar o conhecimento científico de outras formas de conhecimento, estamos demonstrando que para fazer ciência precisamos de métodos e técnicas, e buscar a objetividade na medida do possível já que a neutralidade absoluta é impossível. Essa disciplina sempre está nos primeiros semestres da estrutura curricular e deve mesmo ser assim, embora muitos não compreendam isso porque acham que no final do curso, quando forem fazer o TCC (Trabalho de Conclusão do Curso), ou uma monografia, é que vão realmente precisar do que foi nela ensinado. É importantíssimo que os alunos entrem em contato com a metodologia do trabalho científico desde o inicio do curso, tendo em vista que nela deve-se exercitar as técnicas de fichamento, resumo, resenha, referências bibliográficas entre outras maneiras de trabalho acadêmicos, e não somente fazer um projeto ou monografia. Sou a favor que a disciplina seja mesmo ministrada nos primeiros períodos, o que falta é que alunos e professores se conscientizem da necessidade de por em prática o que aprendem e não apenas deixem para buscar ajuda num manual no final do curso. Minha experiência mostra que todos fazem pouco caso das normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), mas quando chega no tal trabalho de conclusão é uma correria geral em busca de ajuda. Durante o transcorrer do curso professores não exigem e alunos não fazem, portanto, não exercitam. É preciso observar que uma universidade para merecer essa nomenclatura, tem que ter pesquisa e não apenas salas de aula. Não existe ciência sem pesquisa. A universidade está baseada no tripé: ensino, pesquisa e extensão. A Metodologia ou estudo do método, que por sua vez, é a busca de um caminho mais eficaz para atingir os objetivos propostos numa pesquisa científica, ajuda a manter o rigor no texto que deve ter originalidade e contribua com o saber, já que construir um conhecimento científico não é a mesma coisa que escrever uma poesia, um romance ou um texto jornalístico; a ciência como uma sistematização do conhecimento se diferencia do senso comum justamente pelas técnicas aplicadas na análise, discussão e descrição de um determinado fenômeno social, físico ou químico. É bom saber que a busca de um rigor na ciência não elimina a possibilidade de criatividade no trabalho do pesquisador, esta vai aparecer na capacidade teórica e conceitual que ele terá para interpretar os dados a seu dispor. Não vamos esquecer que o momento que estamos em sala de aula, é um momento privilegiado que temos para experimentar, exercitar e errar. A excelência surge da repetição; o gênio nasce da oportunidade, trabalho e dedicação.
Escrito por Vandilo às 15h59
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Campina Grande cidade trampolim Não sou exatamente uma pessoa do litoral, não fui criado na praia, mas adoro o mar pela sua infinita beleza e mistério. Campina Grande é uma cidade serrana, como um clima agradabilíssimo, plantada no Planalto da Borborema, e por isso conhecida como capital do trabalho e rainha, só para lembrar é lá que está situada a Federação das Indústrias do estado, mas não só por isso, ela também teve e continua tendo uma importância muito grande na economia do estado da Paraíba, desde a época áurea do algodão, o chamado ouro branco, como pelo comércio diversificado, na prestação de serviços, na educação e na sua rede hospitalar, e mais recentemente no turismo de eventos, sendo o ponto máximo a festa junina conhecida como "O maior São João do Mundo", além de outros eventos durante todo o ano. Sua vocação não mudou, e por isso continua ostentando o titulo de Rainha da Borborema, imponente entre o litoral e o sertão. Uma cidade cheia de vida e com uma auto-estima elevada e invejável, daí irradiar para outras regiões tantos talentos. Quando ainda morava lá, percebi essa característica curiosa de cidade trampolim justamente pelo fato da sua localização geográfica, aliás ela surgiu por isso, como uma feira, um ponto de encontro e descanso para os tropeiros que por ali passavam vindos do litoral para o sertão; a considero como uma cidade trampolim, principalmente tendo em vista as pessoas para lá se dirigirem em busca de melhores condições de trabalho e estudo, e de lá seguirem para outras regiões, barrando assim o crescimento da capital João Pessoa. A Paraiba talvez seja o único estado do Brasil que tenha uma cidade no seu interior que compita de igual para igual com a capital, e, portanto, fazendo com que as pessoas que venham de outras cidades menores não vão diretamente para a capital. João Pessoa continua agradável por não estar superlotada como a maioria das capitais para onde todos convergem, tal como aconteceu com Recife, por exemplo. Explicando melhor o que coloquei no início, nasci numa cidade do sertão - Santa Luzia -, mas aos seis anos fui morar em Campina Grande com toda minha família; o que não falta por lá é esse tipo de situação, milhares de pessoas que aprendem a gostar da cidade e a adotam como sua terra. É curioso que quem mora em Campina tem como referência de cidade, muito mais Recife do que João Pessoa mesmo sendo essa última nossa capital; a verdade é que Recife por ser a metrópole mais próxima, atrai toda nossa atenção, a proximidade das cidades no Nordeste também facilita a circulação dos moradores; lembro-me de pessoas que iam para boates em Recife num dia e voltava no outro, carnaval em Olinda era sagrado, caravanas de pessoas para o Shopping nos finais de semana era comum, embora hoje em dia não seja mais necessário, já que todas essas cidades têm o seu shopping. Por tudo isso, João Pessoa era deixada em um segundo plano, os olhares dos campinenses para lá sempre estiveram voltados para suas lindas praias no veraneio.
Escrito por Vandilo às 20h14
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Eu, o rio e o mar Quando fui aprovado no doutorado em 2007, fiquei sabendo que teria que passar o ano seguinte no Rio de Janeiro, essa oportunidade me levou a fazer algumas reflexões e até mesmo um balanço de minha trajetória. Pensei nas contradições, e ao mesmo tempo, nas vantagens dessas contradições, como a vida é surpreendente e rica, mas também cheia de injustiças. Prefiro sempre acreditar nos diversos lados da vida, que nada é exatamente como aparece à primeira vista. A migração para o nordestino é muito comum e comigo não foi diferente, segui a tradição; na minha família todos saíram, alguns para o Sudeste e Sul e eu para o Norte. O Rio, apesar da tão propalada violência, como se só existisse lá, continua exercendo sobre nós um fascínio de ser a cidade maravilhosa e eu que pensava em ser artista desejei muito ir morar lá, mas não tive coragem por achar que seria muito difícil e não valia a pena arriscar, e assim preferi investir na carreira acadêmica. Mesmo tendo ido de férias algumas vezes nada se compara a acompanhar o cotidiano da cidade, e durante esse tempo que estive por lá, entre aulas, os bares da Lapa e Copacabana pensei muito, cheguei a me arrepender porque não tive a coragem suficiente para buscar realizar meu sonho, pois o eixo Rio-São Paulo ainda é o ponto de partida para o reconhecimento e o sucesso nacional, assim como fez Elba Ramalho e Chico Cesar, na música, e bem antes José Lins do Rego na literatura entre tantos outros conterrâneos. Esse sonho de ser artista nos anos 80 quando terminei a graduação, ficou latente, digamos que passou... as circunstâncias da vida me trouxeram para as margens de outro rio - o Tocantins, “outras paisagens”, como diz Adriana Calcanhoto. Esses rios, logicamente tem suas peculiaridades, para o rio de Copacabana e Ipanema, temos a ginga que contrasta com a identidade do caboclo, não apenas nas gírias, no sotaque e nos corpos malhados ou na famosa malandragem, está também na leveza, e aqui nas margens do outro rio, temos outra beleza, mais rústica e plana, chegando a ser contemplativa, talvez pela lentidão das ondas ou pela possibilidade de se ter a imagem do outro lado do rio a mostra. É um jogo de espelhos que o Brasil nos permite vivenciar com a sua diversidade, a imensidão do azul do mar capaz de ampliar horizontes está no rio de lá mas provoca o lado de cá. Lembro-me de um professor que veio lecionar uma disciplina em nosso curso doutorado aqui em Palmas, um carioca, naquela época em que o vento é forte e freqüente pela manhã, uma ventania que só nós que moramos aqui conhecemos bem. Ele, admirado, nos falava do quanto essas questões geográficas e climáticas interferem em nossa vida, no nosso comportamento, que isso acontece de uma maneira que não percebemos, algo devagarzinho, lento, mais ou menos como o chamado efeito osmose, no qual o verde das plantas muda pela proximidade e convivência. O tema da minha tese é sobre identidade social, memória, territórios e desterrritorialização, isso já é o bastante para me fazer pensar sobre os valores sociais e o jogo de interesses que existe entre as pessoas, sem contar que a atividade de um cientista social é “naturalmente” impregnada por uma visão critica das coisas. Acredito até que essa capacidade crítica antecede a opção por um curso dessa área. Portanto, eu estava lá e não estava, me sentia entre o rio de lá e o de cá, lendo sobre diferentes identidades e questionando a minha própria identidade de ser paraibano, tocantinense e brasileiro, pensava o que significa ser tudo isso?! Posso dizer que foi um tempo fundamental para mim por consolidar maturidade e a curiosidade, coisa típica da juventude, mas necessária para quem quer continuar a ter prazer em viver. Uma imensidão de sensações tomava conta de mim, ainda bem que não eram ruins, só enriqueceram minha visão sobre a vida e as pessoas e nossa responsabilidade como cidadão de um país cheio de contrastes e injustiças, mas como já dizia o poeta, bonito por natureza. Os rios continuam lindos! E eu continuo minha trajetória de professor, eterno estudante, com sonhos agora mais comedidos, mas com a postura de quem quer saber mais, se conhecer melhor conhecendo os outros.
Escrito por Vandilo às 10h58
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Escrito por Vandilo às 15h28
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